Fazendo um trabalho para a disciplina de Prática, que consiste em um capítulo de livro didático onde trato das diferenças entre o amigo e o bajulador segundo Plutarco e parte da biografia de Alcibíades me toquei que também concerne ao tema do blog essa pesquisa. Plutarco trata de Alcibíades como "o maior dos bajuladores" que já existiu. Fala isso no tratado de ética "Como distinguir o bajulador do amigo" e na própria biografia de Alcibíades.
Primeira coisa que me importa: bajulador = aparências, interesse, amigo = sinceridade, amizade (não achei palavra melhor apesar da redundância). A vida de Alcibíades é a própria vida das aparências, da bajulação (dele para com os outros e vice-versa), da fracassada ascenção da interioridade bondade e sobriedade buscadas por Sócrates no jovem Alcibíades.E claro, muitas outras coisas, mas aqui só quero rapidamente indicar a leitura para adoradores do tema e fofocas.
Segunda coisa que me importa: Lendo a biografia de Alcibíades você percebe que quem comandou a Guerra do Peloponeso foi, basicamente, o senhorzinho boniteza. Digo, a presença dele e sua lideança e, depois, sua troca de alianças foram o que decidiu definitivamente a derrota e/ou o ganho de cada cidade durante a guerra. É impressionante. Ou seja, mostra como nada o poderia, o que Plutarco diz: que a bajulação pode derrubar reis e povos. Sim, o uso indiscreto e excessivo (para ele muitíssimo vantajoso sempre) das aparências, convenções sociais, dinheiro, etc, desse único indivíduo determinou ganhos e derrotas de povos inteiros, ascenções e fracassos de governantes,e sabe-se lá quantas vidas perdidas. Ou seja, o tema que trato aqui não é pouca coisa.
Terceira coisa que me importa: Na Nova Heloísa, de Rousseau, também é citado em uma carta Alcibíades. Da maneira como o personagem o cita com naturalidade e mais alguns indícios cá e lá, percebi que Alcibíades sempre foi, por excelência, a figura do traidor, bajulador, cretino se se quiser. Já vi referências não sei se em autores modernos, antigos ou não, do nome de Alcibíades, mas nunca levei em consideração. Agora tento me lembrar para procurar as fontes e não consigo de jeito nenhum, mas elas existem, ok??
Assim, fica recomendada aqui a leitura de dois livros do Plutarco que li de trás pra frente, de cor e salteado pra fazer o texto que utilizo no capítulo que escrevi: "Como distinguir o bajulador do amigo" (ou De adulatore) e "Vidas Paralelas: Alcibíades e Coriolano" (Coriolano é um romano cuja biografia não nos importa aqui).
Recomendo a leitura lembrando que os livros são minúsculos,o que sei que é deciviso quando se recomenda um livro: o De Adulatore da Martins Fontes tem até fotos legalas com frases do livro em letras garrafais. A biografia de Alcibíadesé um pouquinho maior mas é impossível largar. Ponto.