terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Metastásio
Para não encher o saco com biografias ctrl+c ctrl+v, bio ridiculamente micro, início do verbete "Metastasio" na Encyclopeia Britannica. É opcional a leitura.
Pietro Metastasio, original name Antonio Domenico Bonaventura Trapassi (born Jan. 3, 1698, Rome—died April 12, 1782, Vienna), Italian poet and the most celebrated librettist in Europe writing during the 18th century for the opera seria*; his librettos were set more than 800 times. In 1708 his astonishing skill in verse improvisation attracted the attention of Gian Vincenzo Gravina, a man of letters who made him his heir adoptive and Hellenized his name into Pietro Metastasio.
(*"opera seria", segundo a mesma enciclopedia: style of Italian opera dominant in 18th-century Europe. It emerged in the late 17th century.The primary musical emphasis of opera seria was on the solo voice and on bel canto, the florid vocal style of the period. Chorus and orchestra played a circumscribed role. High voices were cultivated, both in women and in the castrati, or eunuch sopranos.)
Parte que interessa:
Me chamou muito a atenção, no quesito aparência x interioridade o seguinte poema de Metastásio:
"Se a ciascun l'interno affanno
Si leggesse in fronte scritto,
Quanti mai, che invida fanno,
Ci farebbero pietà?
Si vedria che i lor nemici
Anno in seno, e si riduce
Nel parere a noi felici
Ogni lor felicità."
"Se de cada um o secreto tormento
se lesse escrito na fronte
Quantos há, que causam inveja
nos fariam pena?
Ver-se-ia que seus inimigos
têm no coração, e reduz-se
no parecer a nós felizes
toda sua felicidade."
(Metastásio, Giuseppe riconoscinto)
Algo que tento me lembrar sempre que possível quando invejo a felicidade e sucesso alheio: todos têm problemas. Às vezes muito piores que os nossos. Às vezes descobrimos, também, que vários daqueles que gostaríamos de ter pelo menos metade das faculdades, são pessoas detestáveis. Tenho um problema em especial com pessoas da minha idade que já têm um emprego fixo ma-ra-vi-lho-so, estão no doutorado, já leram 10 vezes mais livros que eu e, principalmente, que falam 4 ou mais línguas. A inveja não consiste em odiar a pessoa, que isso fique bem claro. Mas, sim, em odiar a mim mesma.
É nesse ponto que Metastasio toca nesse trecho: aqueles que invejamos, se pudéssemos realmente ver o que passa no coração deles, substituiríamos a inveja por PENA. A felicidade deles consiste no esforço constante de parecerem felizes e nos causar inveja pela sua felicidade. Não ajuda muito quando comparamos nosso insucesso com o aparente (ou real) sucesso dos outros, mas é preciso acreditar nisso. Inclusive tenho passando na minha exemplos de pessoas que conheço a quem, mais tarde, depois de certa convivência, descobri que o trecho cairia perfeitamente.
Quem precisa de kilos de bolo de morango quando se tem Metastásio?
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