quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
As cartas de Saint-Preux e Júlia, e suas lições.
Nem preciso dizer de onde vem a inspiração da minha pesquisa.
Descobri meu interesse nesse assunto lendo "Júlia ou A Nova Heloísa", de Rousseau. Das 660 páginas que compõem o livro, o que realmente me chamou atenção e me fez bradar internamente "genial!" foram as observações críticas que o jovem apaixonado fazia em suas cartas sobre os costumes dos locais onde viajava.
As cartas eram, por vezes, imensas. Isso porque Rousseu julgava que pessoas realmente apaixonadas não se tornam poetas que escrevem poemas curtos e ardentes. Não. Duas pessoas que se amam escrevem cartas minuciosas, longas, dignas de sua familiaridade, convivência e...amor.
Faz 4 anos que li o livro. Não vou abrí-lo ainda para listar minhas passagens preferidas e que pretendo estudar mais atentamente. Não existe maneira melhor de resumir um livro do que enumerar suas passagens preferidas. Saint-Preux descreve as pessoas e paisagens por onde quer que passe. Assim, chamo atenção a uma carta sobre o que observou dos frequentadores da corte: os homens mudam de tom e de opinião ao dar uns poucos passos e mudar o grupo com quem mantém conversa. às vezes opiniões contrárias, de maneira que é impossível saber o que a pessoa realmente tem em mente. se é que tem algo além do desejo de agradar. Voltarei a esse assunto em outra postagem.
Me impressionou muito a questão da vestimenta das mulheres da corte - e, portanto, das mulheres "do povo" - onde Saint-Preux diz que, em prol de "não serem imitadas, imitam as prostitutas". Me veio instantaneamente a imagem de certas celebridades hollywoodianas. A roupa diz respeito à imagem que se quer passar de sua personalidade aos outros, que tipo de sentimento quer despertar naqueles com quem se encontra. Uma dama vestir-se com grandes decotes me parece um tiro no pé.
Também me apaixonei pela passagem onde Saint-Preux interrompe a conversa com Júlia ao ver que seu marido entra no cômodo. Júlia pede para que continue, pois que neste quesito as paredes da casa são inexistentes. Lá não se diz nada que não possa ser ouvido por todos. Não existe modelo maior de pureza.
Última passagem, para não ter apenas repetições na minha tese do que já disse aqui . Júlia conta a Saint-Preux que educa seus filhos não de forma a se sentirem orgulhosos por terem criados que os vistam, os banhem e que estejam a seu dispor, mas, sim, que sintam vergonha por não poderem realizar aquelas atividades por si mesmos. Como evitar a arrogância da nobreza, não?
É impossível não se apaixonar por Rousseau.
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impossivel nao se apaixonar por voce
ResponderExcluirte amo.
ExcluirOlhe so, seremos dois estudando Rousseau, ainda não conheço muito dele portanto não estou apaixonado, mas aparentemente gostei dele.
ResponderExcluirBonito quando cita,
"Duas pessoas que se amam escrevem cartas minuciosas, longas, dignas de sua familiaridade, convivência e...amor"
Concordo muito com isso, hoje o "amor" ficou tão vulgar que infelizmente nada disso existe mais.
Enfim....
Quando eu precisar de ajudar sobre o autor, ja sei a quem pedir...
Ficou bom seu xuxuzinho.
haha, não é citação, é meu, mas obrigada.
ExcluirPode pedir, fico feliz em ajudar. Decidi hoje com o Bocca que vou concentrar meu tcc em Rousseau mesmo, então vou praticamente respirar isso.
Abs!
Monica parabéns, só pelo pouco que você escreveu a cima, já despertou em mim a vontade de também ler este livro do Rosseau que até então era desconhecido para mim, tudo o que esta escrito acima é muito bom, gostei principalmente a parte que fala que ela tenta educar os filhos para que não sejam arrogantes, achei isso fantástico. Espero ansiosa pela próxima postagem.
ResponderExcluirObrigada pelo comentário adorável, Lu!!! :D
ResponderExcluirPrecisando, estamos aqui.